Numerica inventava numeros o tempo todo.
Ele, o chefe, mandava, e ela, a menina dos números, fazia.
Vinte dois, quarenta e sete, dezoito. Setenta e cinco.
Os números preenchiam relatórios e mais relatórios e mais relatórios e mais relatórios e…
Ninguem iria ler aquilo mesmo. Era pró-forma. Um teatro.
Ela logo começou a criar números mais corretos para preencher os relatórios.
Nada feito, quase completo, perto do fim, quase lá.
Veja que quase completo e totalmente diferente de quase lá, que e metade de perto do fim!
Mas estes números eram muito exatos, não deixavam espaços para negociação. Fim das incertezas.
Quando isso ficou claro, ela foi demitida imediatamente.
Logo conseguiu emprego rapidamente como meteorologista.